Estava no Uber de volta da Vila Madalena quando ele me ligou e perguntou se eu o amava ainda
Estava no Uber de volta da Vila Madalena, três da manhã, sábado para domingo, quando o meu marido me ligou de SP-Pinheiros onde está em conferência. Perguntou se eu o amava ainda. Assim, do nada. O motorista do Uber pôs música mais alta. Sei lá porquê. Eu disse que sim. Ele disse ok e desligou. Estava a voltar de uma festa que ele sabia que eu ia. Estilo de vida, casal hetero abertos com regras claras, três anos. Festa numa cobertura na Vila Madalena, gente conhecida, nada de extraordinário. Bebi pouco, dancei muito, falei com uma rapariga sobre canábis legal em Portugal. Não houve traição nenhuma essa noite. Saí às duas e meia, pedi Uber, voltei. [F39] eu, advogada, [B44] ele, médico, dois filhos (12 e 10), moramos em Pinheiros num apartamento que dá pra um pátio com churrasqueira coletiva. Brasileiros os dois, classe média alta, conservadores na superfície, abertos no fundo. A pergunta dele a três da manhã ficou comigo. Por que pergunta isso a essa hora, em conferência, sozinho num quarto de hotel, sabendo que eu estava a sair duma festa onde podia ter feito qualquer coisa? É vigilância? É insegurança? É pergunta sincera num momento em que ele se sentiu fraco? Tô confusa. Tipo, o que faço com isto? Pergunto-lhe quando ele voltar? Ou faço de conta que foi só uma chamada estranha às três da matina?