Traiu-me há 17 meses, estamos a pensar abrir a relação agora, não sei se é cura ou erro
A nossa terapeuta faz-me a mesma pergunta em todas as sessões. "Tens a certeza de que não estás motivada por controlo? Ou por vingança?" Digo que não, sempre, e saio do consultório em Santos sem saber se acabei de mentir. Há 17 meses descobri que o meu marido tinha tido uma relação de cinco meses com uma colega. Telemóvel deixado aberto, recibo que tinha falhado, confronto, confissão, as três piores semanas da minha vida. Nove meses de terapia de casal com ela. Terapia individual para ele. Saiu da empresa, mudou de telefone, fez tudo pelo manual. Diria que estamos a 70% recuperados, mais do que pensava ao sexto mês. Há três meses comecei a ler sobre não-monogamia consensual. Não sei bem porquê, acho que originalmente para perceber o que teria acontecido se ele me tivesse pedido em vez de me trair. Fui fundo. Livros, podcasts. Há dois meses disse-lhe que estava curiosa, não como castigo, não como "tu pudeste, agora eu posso", mas como "pergunto-me como seríamos com esta estrutura". Ele está recetivo. Quase demasiado, e é parte do motivo por que desconfio de mim. Fomos a duas mini-conferências liberais em Lisboa, muito vanilla, só conversa nenhum jogo. F37, dois filhos, casada há 12 anos. Por dentro parece interesse verdadeiro, nascido depois da traição mas não por causa dela. Por fora provavelmente pareço cada cliché de artigo. Alguém esteve aqui? Abrir realmente curou ou no fim explodiu?